03/12/09

Senador piauiense do DEM, Heráclito Fortes, se irrita com a contundência de Demóstenes em expulsar Arruda e defende mensaleiros do seu partido

- Contundência de democrata a favor da expulsão de Arruda gera princípio de bate-boca

- Heráclito Fortes foi o primeiro nome a também defender o vice-governador Paulo Octávio


O senador Heráclito Fortes irritou-se com o correligionário e também senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pela defesa contundente do goiano favorável à expulsão sumária do governador do Distrito Federal José Roberto Arruda dos quadros do DEM .

Arruda foi flagrado pela Polícia Federal recebendo propina e é apontado pela mesma instituição como o chefe de um esquema de distribuição de propina a secretários e parlamentares com dinheiro não declarado, vindo de empresários que prestavam serviço para o governo distrital.

O desentendimento aconteceu na reunião do DEM que ocorreu nesta semana, estabelecendo o dia 10 de dezembro como o prazo limite para que Arruda construísse outra versão mais plausível, em detrimento daquela indicativa de que o recebido de maços de dinheiro foi para compra de panetone.

Heráclito foi um dos maiores defensores para que o governador do DF tivesse direito a defesa e ganhasse uma sobrevida, mesmo com todo os grandes figurões da política no país, dos mais variados partidos, declarando que as imagens são sérias e comprometedoras. Inclui-se neste seleto grupo até mesmo o presidente Lula, que a princípio disse que “as imagens não falam por si”, mas que hoje já as classifica como “deplorável”.

Defesa de Paulo Octávio
Heráclito Fortes também defendeu o vice-governador Paulo Otávio, citado nas gravações como um dos beneficiários do esquema, e recebedor de 30% das propinas repassadas pelo empresariado. “Por enquanto só há outros falando seu nome”, conclui o senador Heráclito Fortes.

Reitora da Uespi, Valeria Madeira, demite terceirizados por vingança

A reitora da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) anunciou, nesta quinta-feira (03), que vai demitir 216 funcionários terceirizados que prestam serviço à instituição através da Fauespi (Fundação de Apoio Universidade Estadual do Piauí). Os servidores foram comunicados na manhã de hoje, durante uma reunião com a reitora, Valéria Madeira.

A gestora alega que acatou, após quatro anos, um parecer Ministério Público. A ação movida desde 2005 determinava o afastamento dos terceirizados e a contratação, através de concurso público, de servidores efetivos.

Porém, o interessante é que Valéria Madeira recorreu várias vezes contra a decisão. e somente agora, após ser derrotada nas urnas e no apgar das luzes, ela tenha desistido de continuar com a política de terceirização na sua administração. O último recurso foi protocolado no mês de julho deste ano. A decisão da gestora em não brigar mais pela permanência dos trabalhadores foi entendida, por muitos deles, como uma reação à derrota nas eleições para reitor (Valéria ficou em segundo na disputa, perdendo para o atual vice-reitor, Carlos Alberto).

A demissão, por sua vez, só atinge os terceirizados ligados à Fauespi, entidade também comandada por Valéria Madeira. O que demonstra o ato político desse ato da reitora.

Inconformados com a decisão, os 216 demitidos realizarão uma manifestação em protesto ao ato da gestora. O protesto acontece amanhã (4) no Palácio do Pirajá, sede administrativa da Uespi. O Sindicatos dos Servidores da Uespi, SINTUESPI, apoiará a manifestação. “O sindicato é a favor da substituição dos terceirizados por concursados. Mas não houve concurso, o que houve foi a demissão sumária de pais e mães de famílias”, explica Marcilio Costa, presidente da entidade sindical.

A Coordenação Nacional de Lutas estará apoiando os(as) servidores(as) nessa luta pela readmissão imediata e a realização de concurso para esse setor.
Greve no judiciário federal vai para 15 dia
Os servidores do Poder Judiciário Federal (Justiça Federal, Justiça Eleitoral, Justiça do Trabalho, Justiça Militar, Tribunais Superiores) encontram-se paralisados desde o último dia 19 de novembro.

O movimento paredista objetiva a recomposição salarial com a correção de distorções graves. A título de exemplo: analistas do Judiciário, servidores com nível superior, fazem jus à percepção de salários díspares, recebendo pouco menos da metade do salário pago aos funcionários que exercem funções similares no Executivo e Legislativo.

Outra reivindicação da categoria é que seja rejeitado o Projeto de Lei do Senado nº 611/2007. Tal proposta pretende congelar os salários dos servidores do Judiciário Federal por um década, limitando seu incremento à correção inflacionária, o que, é de se frisar, não ocorre espontaneamente. Ainda é necessário que servidores se debatam ante a Administração se quiserem, apenas, recompor perdas inflacionárias.
A sigla

Em Brasília já arranjaram nova definição para a sigla do DEM: Dinheiro Escondido na Meia.
Mas até que alguém, no Senado, tentou sugerir que voltem a antiga sigla, PFL, que ganhou,também, nova definição por conta do escândalo envolvendo o governador Arruda do DF.
PFL seria Panetone Foi Liberado
Fora Arruda: Manifestantes ocupam Câmara Legislativa

PSTU exige a saída do governador e secretários e dos deputados distritais, com novas eleições



Centenas de pessoas estão neste momento na Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde realizam um grande protesto pelo Fora Arruda. Os manifestantes iniciaram um ato público às 14h desta quarta-feira, 2, e, cerca de uma hora depois, entraram no prédio. Eles permanecem no plenário, onde ocorrem as sessões dos deputados, nos corredores e nas galerias. Outro grupo aguarda do lado de fora do prédio e a circulação está liberada.

A ocupação foi quase espontânea, tendo à frente um grupo carregando um caixão, simbolizando o governo de José Roberto Arruda (DEM). “Não teve como a polícia segurar. O pessoal foi entrando e ocupou”, afirmou Ricardo Guillen, do PSTU de Brasília, por telefone. Nos vídeos exibidos pelos telejornais, deputados da base aliada aparecem recebendo dinheiro, e guardando como podiam, inclusive nas meias e cuecas. O próprio presidente da Câmara teve de pedir afastamento, depois de aparecer nos vídeos. “Depois disso tudo, eles não têm nem coragem nem moral pra mandar a segurança impedir que o povo entre aqui”, afirma Guillen. Apenas alguns seguranças tentaram oferecer resistência, mas logo desistiram. Segundo a imprensa, uma porta foi quebrada durante a invasão.

O ato foi convocado por todas as centrais sindicais, como a CUT, Conlutas e Intersindical, diversos sindicatos, entidades estudantis e partidos de oposição. Na ocasião, os partidos pretendem entregar um novo pedido de impeachment do governador. Os poucos deputados que estavam no prédio permanecem em seus gabinetes.

Guillen destaca o grande número de estudantes presentes. “A juventude está com força neste ato. Os estudantes forçaram a entrada do prédio e estão na linha de frente”, afirma. Entre eles, muitos estudam na UnB, onde a luta do movimento estudantil forçou a derrubada do reitor Timothy, após denúncias de corrupção e desvio de verbas.

Nesse momento, há um debate entre as entidades presentes sobre o que fazer. “Algumas entidades estão propondo deixar o prédio e recuar da ocupação. Nós defendemos continuar aqui e o pessoal está animado, disposto a continuar”, conta Guillen.

O destino de Arruda está nas mãos dos trabalhadores
O escândalo no governo do DEM deu início a uma gravíssima crise política no Distrito Federal. O governo perdeu o apoio da base aliada, e a oposição tem atuado para forçar a saída do governador. A cada dia, piora a situação para Arruda, aumenta o repúdio ao seu governo, e a sensação de que esse governo não tem condições de completar o mandato.

O debate que se coloca para os trabalhadores e o povo do Distrito Federal é sobre qual a saída para esta crise. “Não tem como se resolver aqui na Câmara, pelos deputados. Muitos receberam dinheiro do governo. Quem poderia assumir no lugar de Arruda, também está sob suspeita”, afirma Guillen. Em um manifesto divulgado nesta terça-feira, o PSTU tem defendido a realização de novas eleições, para o governo e a Câmara, e a expropriação dos bens dos corruptos e corruptores.

Mais do que isso, o partido tem convocado a luta e a mobilização direta, como única garantia de que o escândalo não termine em pizza. Os militantes do partido tem defendido um dia de lutas e paralisações pelo Fora Arruda. “A CUT tem uma grande responsabilidade nisso, já que dirige importantes sindicatos, com a maioria do movimento sindical”. Para o partido, é importante unir essa campanha com as lutas que estão ocorrendo, como a greve dos servidores e docentes da UnB e dos trabalhadores do sistema carcerário. “Também é hora de os professores, que tanto foram atacados pelo governador, reagirem e saírem às ruas pela sua derrubada”, afirma Guillen.

Um novo ato está marcado para a próxima quarta-feira, dia 9, na Praça do Buriti. Para garantir um forte protesto, diversas atividades serão realizadas nos próximos dias. No final de semana, haverá panfletagem nas dezenas de feiras da periferia, como a de Planaltina. E, nos próximos dias, haverá a convocação nos locais de trabalho, nas universidades e agitações em frente à Rodoviária de Brasília, por onde circulam milhares de pessoas todos os dias.

  • Leia a nota do PSTU do Distrito Federal



  • Mensalão do DEM/PSDB
    Manifestantes passam a noite no plenário da Câmara do DF
    Estudantes pedem a saída do governador José Arruda, acusado de liderar esquema de propina.

    Cerca de 50 estudantes acampados desde as19h30 desta quarta-feira (2) no plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal decidiram permanecer no local durante a madrugada desta quinta (3). Eles protestam contra o suposto esquema de pagamento de propina a deputados aliados e integrantes da cúpula do governo do DF. Parte do grupo quer continuar a ocupação até a saída do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM).

    Durante a madrugada, o grupo realizou uma assembleia para discutir os próximos passos do movimento e decidir sobre uma vigília a partir das 18h desta quinta-feira.

    Os manifestantes ocuparam inicialmente o plenário no início da tarde, mas saíram para que os deputados pudessem ler os requerimentos de abertura dos processos de impeachment do governador e de seu vice, Paulo Octávio, e de quebra de decoro parlamentar contra deputados que teriam participado do suposto esquema de corrupção.

    Pouco depois da leitura, eles voltaram a invadir o plenário.

    “Temos a proposta de derrubar o governo Arruda, que não tem a menor condição de continuar”, disse a estudante de serviço social Lorena Fernandes, que faz parte do Diretório Central de Estudantes da Universidade de Brasília (UnB).

    Os manifestantes fizeram uma reunião e escolheram seis representantes para falarem em nome do grupo.

    Os seguranças da Câmara disseram que a ordem do presidente interno, Cabo Patrício (PT), é não intervir. Durante a nova ocupação os manifestantes quebraram a porta que dá acesso ao plenário.

    Requerimentos

    A leitura dos seis requerimentos de impeachment de Arruda é o primeiro passo no processo que vai analisar a permanência do governador no cargo.

    Os processos contra Arruda e Octávio seguem agora para a Procuradoria da Casa, que terá 24 horas para dar um parecer. Depois, vão para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) onde, se tiverem três dos cinco votos, vão a plenário. No caso dos deputados, os processos seguem para a Corregedoria, depois para a Comissão de Ética e, finalmente, ao plenário.

    O escândalo do mensalão do DEM de Brasília começou no dia 27 de novembro, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Caixa de Pandora. No inquérito, o governador José Roberto Arruda é apontado como o comandante de um esquema de distribuição de propina a deputados distritais e aliados.

    O governador do DF aparece em vídeos recebendo dinheiro e supostamente negociando o pagamento de mesadas a deputados distritais da base aliada.

    Fonte: G1

    29/11/09

    Servidores do judiciário federal realizam manifestação no TRT do Piauí

    Os servidores do Judiciário Federal no Piauí realizaram o quinto dia de manifestação pela greve nacional da categoria. Além dos debates promovidos na assembléia, uma comissão se reuniu com o presidente do Tribunal Regional do Trabalho, Manoel Edilson, para formalizar o comunicado da greve, ato que não havia sido feito porque o presidente estava viajando.

    A diretora Madalena Nunes fez um pedido para que os magistrados que não apóiam a intervenção da Frente Associativa na revisão salarial, se manifestem junto à associação e promovam a discussão sobre esta interferência. "O desembargador Laércio Domiciano conversou conosco ontem e falou de sua indignação com a atitude da Anamatra. Nós gostaríamos de pedir que os desembargadores e juízes manifestem seus posicionamentos e nos ajudem nesta batalha".

    O servidor do TRE, Vicente Gomes, falou mais uma vez da importância de a categoria mobilizar-se na luta pela revisão salarial. Segundo ele, a Frente Associativa propaga conceitos equivocados quando divulga à Imprensa que os servidores ganhariam mais que um juiz. "Usam as funções para dizer que nossos salários são exorbitantes, mas não divulgam que as funções são exatamente atribuídas para cargos dos gabinetes dos juízes".

    A servidora do TRE, Beth Carvalho, fez uma análise de dados históricos para motivar servidores que não aderiram ainda à greve. "Na antiguidade os escravos da Grécia já se rebelavam contra a tirania. Eles eram contrários aos maus-tratos de seus opressores e revidavam. Hoje, com tanta informação e esclarecimento, muitos preferem ficar nos gabinetes e aceitar o que lhes é imposto pelas administrações".
    Professores da rede municipal fazem protesto. Veja
    Durante a manhã de sexta feira( 27/11), os professores da Rede Municipal de Ensino de Oeiras saíram às ruas para protestar contra um projeto enviado ao Legislativo Municipal, que segundo o sindicato da categoria os prejudica.Em caminhada, os professores passaram pelas principais ruas da cidade, trajando roupas pretas em sinal de luto pelo novo plano proposto pelo executivo municipal.

    Para o SINTEMO, a luta da classe não é por um aumento aos funcionários da educação. A categoria reivindica a permanência de benefícios adquiridos anteriormente, e que segundo o novo projeto, muitos destes benefícios serão reduzidos.

    A relação promíscua da UNE e do governo Lula

    Aliada do governo, a União Nacional dos Estudantes (UNE) fraudou convênios, forjou orçamentos e não prestou contas de recursos públicos recebidos nos últimos dois anos. A entidade chegou a apresentar documentos de uma empresa de segurança fantasma, com sede na Bahia, para conseguir aprovar um patrocínio para o encontro nacional em Brasília.

    Dados do Ministério da Cultura revelam que pelo menos nove convênios celebrados com a UNE, totalizando R$ 2,9 milhões, estão em situação irregular - a organização estudantil toma dinheiro público, mas não diz nem quanto gastou nem como gastou. As informações são da edição deste domingo do jornal O Estado de S. Paulo.

    O Estado analisou dois convênios com prazo de prestação de contas expirado no ministério: o Congresso Nacional da UNE, realizado em julho, em Brasília, e o projeto Sempre Jovem e Sexagenária, celebrado em 2008, que tinha como meta produzir - até 4 de junho - 10 mil livros e um documentário sobre a história estudantil secundarista. O presidente da entidade, Augusto Chagas, de 27 anos, promete devolver o dinheiro, se forem comprovadas irregularidades.

    Apesar de o governo ter repassado R$ 826 mil para os projetos, a entidade, mesmo cobrada, não entrega extratos bancários e notas fiscais, nem cumpre a "execução dos objetivos", os livros e o documentário. Sobre os livros, uma cláusula do contrato diz que a UNE teria 60 dias para prestar contas, a partir de junho, ou restituir em 30 dias as verbas não usadas. Não fez nem uma coisa nem outra.

    A UNE forjou orçamentos para obter dinheiro para o encontro em Brasília. Em 16 de julho, o ministério liberou R$ 342 mil para o evento, que teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). A entidade apresentou estimativa de gasto de R$ 70 mil com hospedagem, R$ 29 mil para segurança, R$ 26 mil em passagens aéreas, entre outros. O ministério cobrou três orçamentos.

    Para explicar a despesa com segurança, a UNE entregou o orçamento de empresa fantasma, com sede em Salvador, a 1.400 quilômetros do evento. O outro orçamento também é de uma empresa baiana, que ocupa uma sala de 30 metros quadrados e não tem funcionários.

    A empresa fantasma é a Patorg Segurança. Os documentos entregues pela UNE ao governo mostram que a empresa declarou à Receita Federal como endereço o sexto andar de um prédio na Avenida Estados Unidos, em Salvador. A reportagem esteve ali na quinta-feira. No local não há empresa de segurança. Os vizinhos desconhecem a Patorg. "Eu trabalho aqui há 19 anos e nunca teve esse tipo de empresa", disse o porteiro Valdir Alexandre dos Santos.

    A UNE anexou um orçamento de R$ 36,4 mil da Patorg. Seu dono, Genovaldo Costa, é desconhecido no endereço, vive em Camaçari e não foi localizado.

    A outra empresa, a MG Serviços de Limpeza e Portaria, ocupa uma sala num pequeno sobrado na Baixa dos Sapateiros. A UNE entregou um orçamento de R$ 32,2 mil da empresa, que não tem funcionário registrado, mas fez uma proposta de 280 seguranças, por R$ 115 a diária. O Estado foi três vezes ao endereço, mas não havia ninguém. Pelo celular, o dono, Marcos Guimarães dos Santos, disse que já prestou serviços à UNE, mas não deu detalhes.

    Como a entidade não entrega a sua prestação de contas, ainda é um mistério a relação de quem foi contratado. Sabe-se, porém, que a UNE usou fantasmas para aprovar o convênio.

    Os R$ 435 mil do Sempre Jovem e Sexagenária foram liberados em 5 de junho de 2008. A UNE apresentou orçamento de R$ 90 mil com pesquisa, R$ 50 mil para alimentação e hospedagem, e R$ 35 mil para imprimir o livro. O governo enviou ofício em 18 de junho passado lembrando que o convênio está encerrado e cobrou informações. Cinco meses depois, a UNE não deu satisfação. (O Estado de S. Paulo)

    27/11/09

    Veja o discurso de Valério no ato de lançamento de Zé Maria em São Paulo.

    Valério no ato do dia 13 de novembro em São Paulo
    Fortaleza realiza ato de lançamento da pré-candidatura

    Nesta sexta, dia 27, será a vez de Recife realizar o lançamento da pré-candidatura


    Giam Batista, de Fortaleza (CE)



    Zé Maria fala em ato de Fortaleza (CE)

    • Mais de 200 pessoas participaram nesta quinta-feira do ato de lançamento da pré-candidatura de Zé Maria à presidente da república em Fortaleza (CE). Entre os presentes estiveram operários de canteiros de obras, diretores de sindicatos, operários da construção civil e da confecção feminina, membros de oposições sindicais, professores, estudantes, simpatizantes do partido e ativistas do PSOL, PCB e MCP.

    O ato, coordenando pelos companheiros Fábio José e Raquel Dias, contou com a participação dos companheiros Gonzaga (PSTU), Andrea Pagani (PSOL) e Ribamar (PCB).
    Em sua fala Gonzaga relembrou os 20 anos de luta do sindicato da construção civil e a marca forte do classismo que foi construída na cabeça da categoria: "É patrão do lado e peão do outro", disse. E assim como nas lutas do dia a dia essa máxima também se aplica nas eleiçoes. Ressaltou que a eleição de Lula representou uma grande confusão na cabeça dos trabalhadores, pois não só seu vice, como muitos de seus ministros, foram escolhidos entre grandes empresários. Gonzaga concluiu sua fala afirmando que se para manter essa bandeira do classismo erguida, o PSTU tiver de lançar a candidatura própria, sem poder apresentar uma frente classista de esquerda, o PSTU fará isso lançando o companheiro José Maria.

    A fala de Andréa Pagani, do PSOL, foi uma das mais importantes. Andréa ressaltou que a posição do PSOL em Fortaleza é de compor a frente de esquerda com o PSTU e o PCB apesar da disposição contrária de Heloisa Helena e da direção nacional do partido."Nós não saímos do PT e fundamos o PSOL para fazer aliança com o capital". Afirmou ainda que caso a conferência do PSOL opte por apoiar a candidatura do PV, o PSOL não sairá unificado para as eleições de 2010. "Nós não faremos campanha para Marina, podem ter certeza disso", disse .

    Zé Maria foi o último a falar, e foi a fala mais esperada da noite. Zé ressaltou a importância de fazer o balanço dos oito anos de governo de Lula e que essa não é uma tarefa simples por causa da falsa consciência que existe entre a classe trabalhadora de que esse é um governo nosso. Depois de falar sobre o que fez Lula a respeito da reforma agrária, geração de empregos, produção de alimentos, Previdência e outras medidas, o pré-candidato ressaltou as grandes tarefas que estão colocadas para 2010: apoiar as lutas dos trabalhadores, participar do congresso de reunificação do meio do ano e apresentar uma alternativa classista e socialista nas eleições de 2010.

    O ato teve seu encerramento ao som da Internacional, que foi cantado por todos e muito aplaudida ao final.

    Nesta sexta, dia 27, será a vez de Recife realizar o lançamento da pré-candidatura. O ato será às 19h, na Sede do MTC (R. Gervásio Pires, 404 - próximo da Av. Conde da Boa Vista).
    É uma ONG petista?!
    Matéria do 180graus prova relação política entre governo e Civitas
    Três diretores do Instituto Civitas, que recebeu mais de R$ 14 mi do governo, são filiados ao PT

    Robertônio Pessoa, diretor do Civitas
    Robertônio Pessoa, diretor do Civitas

    O portal 180graus tem primado pela isenção na produção de matérias jornalísticas. Prova disso é a grande audiência obtida ao longo de sua existência. Nesta quarta-feira (25), o portal produziu matéria mostrando a relação entre governo do estado e Instituto Civitas.

    Por meio de convênio com a Secretaria Estadual de Educação, o mencionado Instituto recebeu desde 2004 cerca de R$ 14,7 milhões dos cofres do estado -- de acordo com documentos recebidos do TCE - Tribunal de Contas do Estado. Os recursos visam a execução do projeto Cursinhos Populares que supostamente prevê a democratização do acesso ao ensino por parte de alunos da rede pública do estado. A matéria foi produzida observando todos os princípios do bom jornalismo, oferecendo amplo espaço para a manifestação de todos os mencionados.

    Hoje (26), o portal foi surpreendido com documento enviado pelo diretor-executivo do Civitas, advogado Robertônio Pessoa, insinuando a existência de atrelamento político-partidário do 180graus e que isso teria, na sua ótica enviesada, motivado a produção da citada matéria. Sua afirmação não procede. O portal não tem qualquer atrelamento de natureza político-partidária.

    Prima, sim, pela exposição da verdade. É verdade, por exemplo, que 95% do faturamento do Instituto Civitas provém do erário estadual. Embora sendo dinheiro público não há qualquer informação, por parte da entidade, sobre a destinação destes recursos. O Civitas bem que poderia manter, em sua página na internet, um link contendo informações detalhadas e atualizadas sobre o montante recebido e sua aplicação.

    O dinheiro é público, a sociedade tem todo o direito de conhecer o seu destino. O Civitas não nega que tenha recebido R$ 14,7 milhões do governo do estado. Nem poderia. As informações são procedentes do TCE - Tribunal de Contas do Estado. Questiona, no entanto, que esteja recebendo R$ 2,085 milhões por mês do governo estadual.

    Sua negativa é absurda se considerarmos que a matéria explica claramente o resultado da operação. Trata-se do somatório geral dos valores percebidos ao longo de todo este tempo e consequente divisão pelos meses desde então, o que perfaz uma média.

    O convênio entre governo do estado e Civitas não tem razão de ser. Fosse assim e qual a função dos professores da rede estadual? Eles têm a obrigação de preparar alunos para o vestibular. A própria Seduc, em seu mister, deveria fazê-lo utilizando da sua própria estrutura, sem precisar recorrer à uma organização não governamental controlada por partidários do secretário e do governador, sendo que dois deles são além de partidários, auxiliares diretos do governo.

    O diretor Robertônio Pessoa enfatiza que as contas do Civitas foram apreciadas e aprovadas por órgãos de controle interno e externo do estado do Piauí. Este fato não quer dizer absolutamente que o dinheiro esteja sendo utilizado corretamente porque falece objetividade ao convênio se analisarmos que a obrigação de preparar alunos para o vestibular é do próprio estado que já dispõe dos meios necessários para tanto.

    Pessoa nega que o secretário Antonio José Medeiros tenha se utilizado de café aula realizado na madrugada de domingo (22) para fazer apologia do governo e com isso antecipado discurso de pré-candidato ao pleito eleitoral de 2010. O secretário fez uso, sim, do evento para se pronunciar não apenas como candidato. Ele falou como pré-candidato e a pretexto de prestar contas dos seus supostos feitos como secretário tentou incutir na cabeça dos cerca de 2,5 mil jovens ali presentes a ideia de que está trabalhando pelo desenvolvimento do setor público.

    Como trabalha pelo desenvolvimento do setor público se ainda precisa recorrer a uma entidade não governamental para supostamente garantir a democratização do acesso ao ensino universitário? Contraditório, não?! Além do mais, o discurso do secretário foi transmitido ao vivo pela TV Meio Norte. As câmeras o mostraram falando por mais de uma hora, o que torna impossível de negar o viés político-eleitoral de sua participação no evento.

    Se há democratização verdadeira, por que não colocar outros secretários de Educação para relacionar seus exemplos e sugestões? Será que o secretário de Educação do município de Teresina, Washington Bonfim, teria o mesmo espaço no referido café aula? Claro que não. Isso porque o evento foi totalmente voltado para a promoção do secretário, que é pré-candidato a governador pelo PT.

    O sentimento de impunidade é tamanho que eles, além de não se preocuparem com a transmissão ao vivo em emissora de televisão, ainda reprisam inúmeras vezes. O evento, realizado no Ginásio de Esportes "O Verdão", foi transmitido na madrugada de domingo, reprisado na madrugada de terça-feira (24) e novamente é anunciada reprise para esta quinta-feira (26) a partir das 23h. Os organizadores do café aula têm a nítida impressão de que "está tudo dominado."

    Aliás, em se falando do PT, o diretor Robertônio Pessoa posiciona em documento enviado ao portal que "não existe atrelamento político entre o Instituto Civitas e o governo do estado." Como não?! Os três diretores do Instituto são filiados ao PT, partido do governador e do secretário de Educação do estado.

    Dois deles, Nelson Nery e Wellington Soares, são assessores diretos do governador. Um deles, Nery, como coordenador-geral da Defensoria Pública do estado, além de ser advogado pessoal de Wellington Dias. O outro, Soares, cuida da comunicação estadual.

    O 180graus é injustamente acusado de abusar da liberdade de expressão. Não existe abuso. O que existe é busca permanente da verdade dos fatos. O único problema com isso é que tanto em nível local quanto nacional, o governo petista sempre insinua atrelamento político e partidário de autores de matérias que não são adeptos da propaganda oficialesca e com isso não falam apenas o que eles querem ouvir. Agindo assim, imagina que conseguirá descaracterizar e desacreditar o conteúdo.

    De modo algum!

    Todas as informações publicadas pelo portal são verdadeiras e podem ser tranquilamente checadas junto aos órgãos oficiais. O mesmo, talvez, não se possa afirmar de alguns acusadores de plantão.

    REPÓRTER - Toni Rodrigues


    Sílvio Mendes (PSDB) anuncia reajuste abaixo das perdas salariais do servidor municipal de Teresina e antecipa sua corrida ao governo do Estado

    O prefeito Sílvio Mendes anunciou, durante entrevista coletiva, reajuste salarial de 5% para os quase 18 mil servidores da prefeitura. O reajuste é linear e será implantado a partir do mês de dezembro. O impacto na folha de pagamento será de R$ 3 milhões.

    A mensagem com a proposta de reajuste será enviada na próxima semana para a Câmara de Teresina. Os vereadores decidirão no plenário se autorizam o aumento.

    Mendes reafirmou ainda a antecipação do pagamento da segunda parcela do décimo terceiro salário para cerca de 15 mil servidores. Falou ainda que a folha de pagamento referente a 2009 será concluída antecipadamente.

    Perda salarial de servidor(a) é de 47%

    Ao anunciar reajuste de apenas 5%, Sílvio Mendes não está recuperando o poder aquisitivo da categoria já que a perda salarial dos servidores municipais de Teresina é, segundo o próprio sindicato, de 47%. Além disso, tal anuncio vem tarde demais. Com certeza esse indíce já se elevou.

    O pior disso tudo é que o presidente de Sindserm-THE, Solistício Melão, se fez presente ao anúncio ao lado do prefeito, dando representatividade a essa política de arrocho salarial por parte da PMT junto aos seus servidores.

    Para bom entender, Sílivio, na verdade, está querendo fazer jogo para se lançar ao governo do Estado do Piauí. Abre o olho, servidor(a)!
    Oficiais de justiça realizam encontro e reivindicam porte de arma

    Os oficiais de Justiça do Piauí planejam reivindicar junto ao Tribunal de Justiça e à bancada federal do estado apoio para desemperrar o processo que tramita na Câmara para que eles tenham direito a porte de armas. Os trabalhadores justificam dizendo que exercem uma profissão de risco.

    O presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do Piauí, Maércio Maia, esta é uma luta nacional. “Exercemos uma profissão de perigo. Recebemos nos nossos vencimentos um percentual sobre o risco de vida, no entanto, não temos direito ao porte de arma”, declara. Ele diz ainda que os oficiais reivindicam o direito à aposentadoria especial e isenção do IPI na aquisição de automóveis porque cumprir a determinação do judiciário nos próprios veículos.

    Após o 2º Encontro Estadual dos Oficias de Justiça do Piauí, que ocorrem hoje em Teresina, deve ser formalizada uma carta de propostas e reivindicações que será entregue ao TJ, à Corregedoria de Justiça, aos deputados federais e senadores piauienses.

    Carlos Lustosa Filho
    redacao@cidadeverde.com

    24/11/09

    Trabalhadores em educação paralisam suas atividades quinta (26/11)

    Os trabalhadores em educação Estadual paralisam as suas atividades na próxima quinta-feira, dia 26 de novembro. Eles fazem protesto, às 9 horas, ao lado do Palácio de Karnak. Na oportunidade vão cobrar do governo aumento salarial e denunciar o péssimo atendimento prestado pelo IAPEP-Saúde.

    Nessa oportunidade, a categoria irá denunciar o desrespeito à data base da educação e continuar a pressionar o governo por reajuste salarial. A pauta de reivindicação é o pagamento das perdas salariais do governo Wellington Dias, que somam 47%; valorização profissional, estruturação das escolas e melhores condições de trabalho. Além disso, o pagamento das diferenças do piso (13,85%) para o magistério e 15% para os funcionários..

    Além de aumento salarial os trabalhadores em educação vão denunciar o atendimento prestado pelo IAPEP Saúde na área de saúde. É que eles descontam todos os meses em seus contracheques valores para esse serviço mais não tem o retorno esperado. A direção do SINTE-PI vem recebendo reclamações diariamente de pessoas que necessitam de um exame mais que não podem mais fazer por que não tem mais cota; de pessoas que procuram atendimento em determinadas clinicas e, recebem a informação de que já esgotaram também a cota para o atendimento dentro do mês.

    O protesto tem por objetivo cobrar o fim das cotas para exames e consultas, exigir atendimento de urgência e emergência.
    Nós estamos com Cesare Battisti



    Fabiana Stefanoni, da redação do jornal Progetto Comunista*


    Em relação ao caso Cesare Battisti, todos – do PDL ao PD, da Liga a Itália dos Valores (1), da imprensa reacionária a considerada progressista (La Repubblica à frente) – comemoram a decisão da Suprema Corte brasileira de permitir a extradição de Cesare Battisti.

    Por que o Supremo Tribunal brasileiro disse sim a extradição? Por que os homicídios de que Battisti é acusado seriam "crimes comuns", não políticos, portanto nenhum asilo. Resumindo: na Itália todo o parlamento com um repugnante aplauso unânime, comemora a prisão do “terrorista Battisti”, culpado de ter cometido crimes políticos; no Brasil, foi condenado porque os crimes de que é acusado não teriam relação com a política.

    O certo, nesta lógica sem lógica, é que, na Itália, além dos capitais dos fraudadores milionários beneficiados pelo escudo fiscal, reentrará um inocente que tem culpa apenas de aderir, vinte anos atrás, a uma organização política aventureira que substituía a radicalização da classe operária pela luta armada. Sabemos também que, enquanto Battisti, retornará a prisão na pátria por feitos nunca cometidos, o Estado burguês que o condena à prisão concederá o perdão, pela mão de Ghendi ou de outro advogado do Presidente, a milhares de fraudadores (veja-se o caso Parmalat), mafiosos (subsecretário ou não), assassinos de trabalhadores inocentes (veja-se o caso da Thyssen Krupp (2) ou os processos por mortes causadas pelo amianto).

    Um escritor de romance terminará na prisão, enquanto a canalha capitalista e mafiosa brindarão a prisão do “terrorista”. Aqui vemos o segundo aspecto tragicamente grotesco deste episódio. Todos - mas propriamente todos: da “TG1 da liberdade” a “TG3 da oposição pelo bem” (3) - estão de acordo em definir Cesare Batista como um “ex-terrorista responsável por quatro homicídios”.

    Ninguém se recorda de precisar que a prisão de Battisti carrega o peso de um processo em contumácia [ou seja, sem a presença do acusado], baseado somente na testemunha de um "arrependido" escassamente digna de crédito, sem provas, sem que Battisti tivesse possibilidade de defender-se e com o uso da tortura para extorquir confissões na fase inicial do processo (4).

    Escritor, ex-militante do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), há anos vivia na França. Depois de um forte requerimento da justiça italiana, a França em 2004 concedeu a extradição. Battisti, porém, conseguiu esconder suas pegadas, fugindo em 17 de agosto de 2004.

    Durante aqueles anos, conseguiu também publicar, contando com o favor da opinião pública e sustento material de amigos, militantes e intelectuais, um romance autobiográfico, Ma cavale (A minha fuga). É bom recordar que foi o governo Prodi – com Ferrero ministro, atual secretário do PRC (5), e Bertinotti presidente da Câmara – a fazer pressão afim de que Battisti fosse reconduzido à Itália (Prodi mesmo, diante do mundo inteiro, se disse satisfeito pela prisão). E então, também graças ao silêncio e a anuência de vários Prodi, Di Pietro, Ferrero e Bertinotti (6), a resposta definitiva chegou. E com essa a condenação de Battisti.

    De onde nasce a armação da polícia

    Cesare Battisti nos anos setenta se aproximou do grupo Autonomia Operária, uma organização extraparlamentar que fazia da prática da “apropriação direta” um dos eixos de sua tática política, prática da qual Toni Negri (bem diferente daquele que conhecemos hoje) era o principal teórico. No imaginário jornalístico, a Autonomia Operária era frequentemente associada ao P38 e a guerrilha urbana: a história desta organização – profundamente hostil a qualquer idéia de partido leninista – é muito complexa e não será analisada aqui em detalhe. Basta recordar que frequentes eram naqueles anos as chamadas “expropriações proletárias”, isto é, banalizando, roubos que pretendiam ser funcionais a "satisfação" imediata das necessidades do proletariado. Battisti é preso pela primeira vez na metade dos anos setenta.

    Saído da prisão em 1977, aderi ao grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), uma organização de Milão que praticava a luta armada. O fundador do PAC Pietro Mutti, depois arrependido, foi o principal acusador de Battisti por homicídios nunca cometidos (não é por acaso que o tema da traição seja muito presente na narrativa de Battisti: na Ma cavale se define Mutti como “um carrasco, cuja falsa testemunha, feita em minha ausência, me custou a condenação a prisão perpétua” .

    Battisti foi preso de novo em 1979, no meio de uma série de prisões em Milão, na sequência do homicídio de um joalheiro (Torregiani): tratava-se de um homicídio que nascia de um caso de delinquência comum e que foi utilizado para golpear o movimento milanês. Battisti foi acusado de co-participação neste crime e, fato absurdo, de ter participado também um homicídio que ocorreu no mesmo dia, quase na mesma hora, a centenas de quilômetros de distancia (a morte do açougueiro Sabbadin em Udine). É acusado também de outras duas mortes e vários roubos.

    Em 1981 consegue fugir da prisão de Frossinone onde era recluso. Foge primeiro para França, depois México, para depois tornar definitivamente para França em 1990, que na época negou a extradição para a Itália (em virtude da chamada doutrina Mitterand sobre os refugiados políticos italianos: mais de uma centena de refugiados do período “dos anos de chumbo” obtiveram a permissão de ficar na França, com a condição de permanecer visível às autoridades e da renúncia definitiva a "violência política").

    A Vingança do Estado burguês
    A condenação a prisão perpétua em 1990 (em contumácia, porque Battisti não participou do processo) deve ser compreendida no contexto das leis de emergência do período de 1975-1982 e a luz da vontade de vingança do Estado e da burguesia italiana. Algo que não pode ser reduzido ao fetichismo da violência e da luta armada de alguns grupos que pretendiam encontrar atalhos, renunciando à conquista das massas para uma perspectiva revolucionária.

    As leis de emergência tornaram-se, de fato, o pretexto para quebrar e reprimir o movimento de luta operária e estudantil que por um decênio tinha preocupado a classe dirigente italiana. Cada organização ou associação política tornava-se suscetível de ser acusada de “associação subversiva”.

    Não basta: uma só testemunha torna-se suficiente para condenar militantes da extrema esquerda (é o caso do processo de “7 de abril” ou do caso Sofri, Bompressi e Pietrostefani); podia-se ser preso também por “apoio moral” ao homicídio; nos processos (também no de Battisti) se fez uso da tortura em testemunhas. O sentido de tudo isso é claro: os aparatos do Estado aproveitavam do relativo refluxo das lutas operárias para “fazer pagar” a alguns protagonistas dos protestos daqueles anos. Depois da “Lei Cossiga” de 1980, que concedia desconto nas penas aos arrependidos quanto mais pessoas denunciavam, a sorte de tantos jovens foi sempre decidida pela infâmia de poucos.

    É também o caso de Cesare Battisti, que sempre negou os homicídios de que é acusado e cujas “culpas” são aquelas de não ter negado sua participação no PAC (do qual se afastaria em 1978), grupo que reivindicava aqueles mesmos homicídios e de não haver feito pública abjuração do seu passado político.

    Da nossa parta, nós nunca tivemos ilusões com a Justiça burguesa, seja italiana, francesa ou brasileira. Na França estão em curso mobilizações em favor de Battisti, também aqui (na Itália) devemos fazer que nas mobilizações e nas greves dos próximos meses se inclua entre as palavras de ordem também a de liberdade para Cesare Battisti.

    *Órgão central do Partido da Alternativa Comunista (PdAC), seção italiana da LIT-QI. Publicado em 12 de abril de 2007.

    (1) PDL - Partido da Liberdade, de Sílvio Berlusconi.
    PD - Partido Democrático, de centro-esquerda fundado em 2007 a partir da fusão de diversos partidos de centro e esquerda que fizeram parte da coalizão eleitoral L'Unione nas eleições de 2006. Vários partidos se fundiram no PD, mas o grosso de seus membros integravam os partidos Democratas de Esquerda e Democracia é Liberdade.
    IDV - Itália dos Valores, partido de oposição liderado pelo ex-juiz anti-corrupção Antonio Di Pietro.
    LN - A Liga Norte, partido de direita que atua, sobretudo no norte da Itália, e que já propôs a separação das regiões do norte da Itália.

    (2) Siderúrgica em Turim onde ocorreu um incêndio que matou sete operários. Os executivos da empresa estão sendo julgados.

    (3) Canais de televisão italianos controlados pela oposição ou pelo governo.

    (4) A utilização da tortura das testemunhas durante o processo de Battisti é provada por treze denúncias, oito da parte dos acusados e cinco da parte de seus parentes: os magistrados "arquivaram" as denúncias.

    (5) Partido da Refundação Comunista

    (6) dirigentes do PRC

    Tradução: Rodrigo Ricupero

    O Partido Socialismo e Liberdade (PSol) lançará uma candidatura ao Governo do Piauí.

    Será Lucineide Barros, professora da Universidade Estadual do Piauí e ex-presidente da Federação das Associações de Moradores e Conselhos Comunitários, Fammc.

    - Somos uma manifestação do pensamento social do ponto de vista do enfrentamento das políticas neoliberais e seus representantes, como PT, PSDB, PTB, DEM, PP, PDT, PMDB, PHS, PMN, PC do B, PSB, PV, PPS e PR”, afirma Lucineide.

    22/11/09

    Ameaças antidemocráticas

    Alô, Leonam! Alô, Kenard! Alô, Emerson! Alô, F. Wilson! Alô, Blogueiros! Sei que este blog incomoda a muita gente, mas essa gente pode, simplesmente, NÃO ACESSÁ-LO, e pronto. Mas direito não tem nenhum um alguém anônimo ou sob pseudônimo de enviar-me sistematicamente xingamentos e ameaças. A serviço do que ou de quem o sujeito está eu não sei, embora desconfie (diz, por exemplo, o troglodita, que estou lendo muito a "Veja", numa espécie de index proibitorum...). Este blog NÃO IRÁ CALAR (estamos em Cuba?) e amanhã mesmo já entregarei à polícia o material agressivo que tenho recebido e cujo objetivo é, obviamente, me amedrontar. Aviso, porém, antes, a todos os colegas blogueiros, a fim de que NÃO PERMITAMOS esse tipo de TERRORISMO contra a LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Gostaria que, na medida do possível, replicassem essa minha postagem. VADE RETRO, STALINFASCISTAS!!!!! (Airton Sampaio).
    PT e PCdoB lançam "DCE Livre" sem mencionar a passagem dos trotskistas na entidade estudantil da UFPI

    Noite de festa e muita emoção no lançamento do projeto DCE Livre – 30 Anos, nessa sexta-feira (20). Comandado pelo coordenador de Comunicação Social, Wellington Soares, o evento foi marcado pela abertura de uma exposição, pelo lançamento de um livro e pela exibição de documentário em vídeo sobre a história do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), que se tornou independente a partir de 1979.

    O professor de História da Ufpi, Fonseca Neto, declarou que a história de luta daquelas gerações de jovens serve de lição para as novas gerações. Fonseca Neto, militante e filiado do PT, foi presidente do DCE em 1979, ano em que a entidade se tornou autônoma em relação ao controle da direção da Ufpi. Ele se emocionou durante o evento, que reuniu vários ex-presidentes do DCE, como o deputado federal Osmar Júnior (PCdoB), a professora Valéria Silva, o jornalista Elivaldo Barbosa e o sociólogo Messias Júnior.

    O stalinismo influencia o lançamento do projeto

    Stálin, ditador soviético, tinha a cultura de eleiminar seus inimigos não só fisicamente, mas, também, através da eliminação de suas figuras e/ou relatos da história. Assim foi com o lider revolucionário Leon Trótski, que teve suas fotos apagadas por Stálin e foi, depois, assassinado pela polícia secreta deste ditador.

    Assim como Stálin, PT e PCdoB faz a mesma coisa com a história do DCE da UFPI. No livre, no vídeo e no lançamento do projeto nenhuma menção foi feita aos trotskistas que passaram pela presidência da entidade. Nomes de Cristina, Patrícia Melo e Daniel Sólon, todos(as) militantes do PSTU, foram apagados da "memória" desses crápulas.

    Uespi quer autonomia financeira
    coluna porteira, cidadeverde.com
    O sindicato dos professores da Universidade Estadual do Piauí iniciará uma campanha para conseguir a autonomia financeira da instituição.

    - “No primeiro momento, ela será interna, com os nossos servidores, alunos e professores. Em seguida, iremos sensibilizar a sociedade”, explica a presidenta do sindicato, professo Graça Ciríaco.

    Segundo ela, será preciso mudar a Constituição Estadual: - “iremos na Assembléia conversar e convencer os deputados”.

    A mobilização vai começar a partir do início do próximo ano.
    Em 21/11/09, 18:07

    20/11/09

    No Rio, 400 pessoas participaram do lançamento da pré-candidatura

    Ato foi transmitido ao vivo pelo Portal


    da redação




    Samuel Tosta





    Cerca de 400 pessoas lotaram o auditório da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ para o ato de lançamento da pré-candidatura de Zé Maria no Rio. Entre os presentes, estavam trabalhadores e estudantes de diversas categorias, militantes e simpatizantes do partido e militantes do PSOL. Antes das falas, um breve vídeo com a biografia e trajetória de luta de Zé Maria foi exibido e bastante aplaudido ao final.

    Os militantes Lelê, da Juventude de Niterói/São Gonçalo, e Miguel Malheiros, professor, coordenaram a mesa. Junto com Zé Maria, eles chamaram para fazer parte da mesa os militantes Cyro Garcia, Rafael Nunes, Vera Nepomuceno e Eduardo Henrique. Dirceu Travesso, bancário de São Paulo, dirigente do partido e da Conlutas, também esteve no ato.

    Cyro Garcia, primeiro a falar, ressaltou a situação de opressão que vive hoje o povo negro e pobre do Rio. Ele denunciou a política de segurança do prefeito Eduardo Paes e do governador Sérgio Cabral, apoiado por Lula: “O que existe é uma política de chacina da juventude negra das comunidades carentes da nossa cidade”. Cyro destacou que os governos agem “para fazer a limpeza para as Olimpíadas e a Copa que aí vêm”, assassinando a população, inclusive crianças, cujo único crime que cometeram é ser pobre segundo ele.

    Vera Nepomuceno afirmou: “hoje, a nossa presença aqui faz história”. “Nós somos ousados, queremos construir esta frente e vamos tentar convencer cada companheiro da base do PSOL e do PCB da necessidade desta frente. Não nos movimentamos pela nossa vaidade, mas pela necessidade da classe.” Ela concluiu convidando os presentes a entrarem no PSTU.

    A fala de Zé Maria fechou o ato. Ele fez um breve balanço dos oito anos de governo Lula e Frente Popular e de como as esperanças dos trabalhadores não se comprovaram. Zé Maria destacou que a prioridade do governo tem sido os banqueiros e os empresários e não os trabalhadores. “A demagogia é o que explica as chamadas medidas sociais compensatórias”, disse sobre programas como o Bolsa Família e outros. Esses programas não visam acabar com a pobreza, mas “se destinam a servir como uma válvula de escape para os bolsões mais miseráveis”.

    Zé Maria também falou sobre a crise e os efeitos sobre os trabalhadores. Afirmou que a crise não acabou e que é preciso construir alternativas dos trabalhadores. A burguesia, segundo ele, vai aproveitar as eleições para legitimar as saídas que já esta construindo, baseada no aumento da exploração, da pobreza, da miséria e da fome para retomar o crescimento de seu capital.

    Entre outras coisas, Zé Maria também falou sobre o problema dos alimentos e da fome e dos privilégios para o agronegócio. Enquanto isso, sem-terra são perseguidos e assassinados. Defendeu, ainda, a campanha “O petróleo tem de ser nosso” e o preço dos combustíveis mais barato para a população.

    O tema das opressões também foi parte de sua fala. Ele manifestou a necessidade e a possibilidade de construir uma sociedade sem a opressão de mulheres, negros e homossexuais.

    Zé Maria demonstrou que é possível construir um mundo melhor para os trabalhadores, mas, para isso, “é preciso discutir um programa não abstrato, mas concreto, para agora”. Para implementar este programa, “há dinheiro, mas é necessário romper com o imperialismo, parar de pagar as dívidas interna e externa e parar de dar dinheiro para banqueiros”.

    Na luta e nas eleições
    Como em São Paulo, o debate sobre a Frente de Esquerda e a polêmica sobre o possível acordo entre PSOL e Marina Silva, foi tema do debate.

    Representantes de correntes do PSOL falaram. Luciano, professor e militante do Bloco Resistência Socialista, que reúne correntes internas do PSOL que defendem a Frente de Esquerda, saudou a unidade entre a Conlutas e Intersindical e a construção de uma nova central para enfrentar o governo e defender os trabalhadores.

    Ele defendeu a frente: “Para nós, a eleição não é uma prioridade, a prioridade é a aliança do dia-a-dia”. Luciano afirmou que existe uma disputa dentro do PSOL “por um programa classista e pela independência financeira”. Ele denunciou a postura do MES, corrente da deputada Luciana Genro, que aceitou dinheiro da Gerdau nas últimas eleições municipais.

    Quanto à Heloísa Helena, disse que seria importante sua candidatura, mas não sem um programa. Para ele, é fundamental reeditar a aliança de 2006 sem Marina Silva. Luciano acredita que é positiva a pré-candidatura de Zé Maria para pressionar setores do PSOL que ainda tem dúvidas.

    Uma representante do grupo Reage Socialista – Coletivo Fundador também defendeu a unidade. Ela falou que era um orgulho participar do ato. “Para nós é extremamente importante esta candidatura, disse.

    Zé Maria criticou e denunciou duramente Marina Silva. Lembrou que ela, recentemente, defendeu a manutenção do mesmo modelo aplicado por FHC e Lula. Sequer a defesa do meio-ambiente” é parte do programa da ex-ministra de Lula. Zé Maria questionou as políticas implementadas quando ela era ministra do Meio Ambiente: a entrega da floresta amazônica, a aprovação dos transgênicos, a transposição do rio São Francisco.

    “A melhor forma que a esquerda social tem para se apresentar nesse processo eleitoral seria numa frente de esquerda”, afirmou. A frente tem sido proposta há meses ao PSOL e ao PCB para defender um programa socialista para os trabalhadores, uma frente que tenha independência dos partidos da burguesia e financeira.

    Infelizmente, Zé Maria lembrou que a movimentação da direção do PSOL tem sido no sentido oposto: de apoiar Marina Silva. “Nós seguimos achando que esta é a melhor forma de a esquerda socialista cumprir a sua obrigação”, disse.

    O pré-candidato do PSTU chamou os lutadores a cerrar “fileiras mais uma vez, para fazermos frente a esta tarefa que é grande para nossas forças, mas nos podemos enfrentá-la”.

    Aos companheiros e companheiras de outras organizações presentes, agradeceu a presença e disse que o desafio de apresentar uma alternativa classista e socialista não é uma tarefa fácil, mas que “o PSTU vai assumir esta tarefa e, se não sair a frente, quer fazer isso com cada companheiro e companheira que, mesmo não sendo do nosso partido, queiram assumir esta tarefa”.
    Congresso promulga proposta que dá mais recursos para a Educação




    Em sessão solene, o Congresso Nacional promulgou na última quarta-feira (11) a proposta de emenda à Constituição (PEC 59/09) que garante o fim do corte de recursos orçamentários destinados à educação. A PEC retira, gradativamente, a Desvinculação das Receitas da União (DRU) do orçamento da Educação, até não mais ser cobrada, em 2011. Atualmente, o governo federal pode reter 20% de toda a arrecadação.

    O fim da DRU na Educação será gradativo: de 12,5% este ano, de 5% em 2010, e, a partir de 2011, deixará de incidir. A previsão é que com a extinção da desvinculação, a Educação deve receber a mais somente este ano cerca de R$ 4 bilhões, de um total previsto de R$ 41 bilhões. No ano que vem, o fim da DRU representará a injeção de novos R$ 8 bilhões para o ensino.

    No entender do presidente José Sarney, que presidiu a sessão solene, a proposta é de enorme importância para a educação brasileira. Mas voltou a defender a canalização de mais recursos para o setor, apesar de reconhecer o esforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em favor da educação.

    Emocionada, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), autora da proposta original (PEC 96/03), disse que a promulgação da emenda devolve recursos que a educação tanto precisava. Estimativa do próprio Ministério da Educação dá conta de que o setor perdeu cerca de R$ 100 bilhões desde 1996, ano em que a DRU foi instituída. (Agência Senado)

    FONTE: CNTE
    Portal IG Educação, 18/11/2009
    Municípios não têm dinheiro para investir em educação e nem para pagar professores, dizem especialistas
    Agência Senado

    A queda da arrecadação das receitas tributárias que constituem o Fundeb(Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), decorrente da crise financeira internacional, deixou os municípios sem condições de investir em educação e até mesmo, em muitos casos, sem recursos para pagar os salários dos professores.

    O alerta foi feito por especialistas nesta quarta-feira (18), em audiência pública promovida pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). Eles defenderam uma solução emergencial para o problema. Nota do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), lida pela presidente do órgão e secretária de Educação do Paraná, Yvelise Freitas de Souza Arco-Verde, informa que a previsão inicial de R$ 76,8 bilhões para 2009 cai para R$ 67,6 bilhões - uma redução de 12%. Se incluídos os recursos da União, segundo Selma Maquiné, da Confederação Nacional de Municípios (CNM), a receita passa de R$ 81,9 bilhões para R$ 72,7 bilhões. Nos municípios, conforme a CNM, a queda foi de R$ 4,6 bilhões. Já o valor mínimo nacional por aluno/ano, que era de R$ 1.350,90, está estimado agora em R$ 1.221,34 (redução de
    9,5%).

    Filhos dos trabalhadores - A nota do Consed afirma que projetos e ações de melhoria, aperfeiçoamento e modernização certamente estão sendo afetados em todo o país, já que gastos obrigatórios não poderão ser reduzidos. Lembra que o Congresso promulgou recentemente a Emenda Constitucional nº 59 - que garante o fim dos cortes orçamentários destinados à educação - e pede ao governo federal que parcela dos recursos agora novamente vinculados ao setor sejam destinados à assistência financeira aos estados e municípios que mais dificuldades enfrentam "no cumprimento da desafiadora agenda da educação básica".

    Para a presidente do órgão, "é preciso que haja coerência entre o discurso e a prática". O presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e secretário municipal de Educação de Castro (PR), Carlos Eduardo Sanches, disse que a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), utilizada pelo governo para promover a atividade econômica, trouxe problemas para a educação: "Os filhos dos trabalhadores são as crianças que estão na escola pública. Não há como ofertar educação pública de qualidade se não trabalhamos com tranquilidade e com recursos.

    A grande maioria dos 5.564 municípios passa por uma completa inércia na área dos investimentos em educação", afirmou Sanches. O presidente da Undime acrescentou que, quando mais de 80% dos recursos do Fundeb são comprometidos com salários, "cai muito a educação" se o município não tiver fonte de recursos próprios.

    Sanches disse que o Fundeb é a grande e quase única receita para o setor e afirmou que ficam comprometidos, com a redução dos recursos, investimentos em manutenção de prédios, estrutura, equipamentos e informação. A grande maioria dos municípios não terá recursos em novembro e dezembro para arcar com o pagamento do transporte escolar e nem para honrar o salário e o 13º salário, alertou Sanches, para quem o governo deveria instituir um fundo emergencial por medida provisória. Pela CNM, Selma Maquiné afirmou que, em muitos municípios, os gastos com a folha de pagamento superam os 100% do Fundeb. Com isso, observou, não há dinheiro para transporte escolar, construção de escolas, formação continuada de professores e material didático.

    Colchão de amortecimento - O coordenador de Estudos, Previsão e Análise da Receita Federal do Brasil, Jefferson Rodrigues, explicou que o Imposto de Renda (IR) e o IPI foram os tributos que mais sofreram com a redução da atividade econômica, o que afetou fortemente o Fundeb. Com a
    retomada do crescimento, segundo Rodrigues, há sinais positivos em relação à arrecadação tributária. Já o coordenador-geral de Operacionalização do Fundeb e de Acompanhamento e Distribuição da Arrecadação do Salário Educação, Vander Oliveira Borges, falou sobre a complementação de recursos feita pela União aos municípios, observando que ela "serviu de colchão de amortecimento dos impactos da crise para os estados mais afetados". A audiência pública foi solicitada pelos senadores José Nery (PSOL-PA) e Romeu Tuma (PTB-SP).

    19/11/09

    Servidores do MTE permanecem em greve por tempo indeterminado

    Foto: Assis Fernandes
    Servidores não aceitaram proposta do Governo
    Completando 14 dias de greve hoje, os servidores administrativos do Ministério do Trabalho e Emprego- MTE -, continuam com a maioria dos serviços paralisados. De acordo com Cibele Bonfim, representante do comando de greve da categoria, devido às negociações não satisfazerem nenhuma das reivindicações dos trabalhadores, a greve deve continuar por tempo indeterminado no Piauí, bem como em mais 23 Estados do país.


    De acordo com Cibele Bonfim, cerca de 600 pessoas são atendidas diariamente, durante os dois turnos, por apenas 12 funcionários efetivos que trabalham diretamente com o público. “O último concurso realizado foi apenas para repor o quadro de funcionários terceirizados, não havendo aumento dos funcionários efetivos, sem mencionar as pessoas que trabalham diariamente nos dois turnos para atender solicitações de seguro desemprego e carteiras de trabalho. Isso dificulta a vida do servidor, que além do stress ainda não tem a compensação financeira”, ressalta.


    Já quanto à reação da população, que está sendo atingida diretamente com a paralisação das atividades, a representante do comando de greve conta que está sendo pacífica, pois os servidores que ficam na entrada do prédio do MTE estão tendo o cuidado de explicar todos os motivos que os levaram a deflagrar a greve. “Até porque não queremos que a sociedade fique contra nós, pois de certo modo, se as coisas melhorarem para os servidores, conseqüentemente o atendimento também será diferenciado, havendo uma melhor qualidade dos serviços prestados para a população”, afirma Cibele Bonfim.


    A paralisação de 50% dos servidores administrativos do MTE está resultando em grande prejuízo ao andamento das atividades do Ministério do Trabalho e Emprego, porém, atividades relacionadas à acidentes de trabalho, protocolo, financeiro ou mandados de segurança não foram interrompidas. Com o intuito de avançar no andamento das negociações, o comando de greve nacional fez ontem uma manifestação pública em frente ao MTE em Brasília e nos dias 25 e 26 deste mês realizará a ‘caravana da pressão’, também em Brasília, bem como a ‘pressão parlamentar’.

    PIB anunciado é a metade do projetado pelo Governo

    O Resultado do PIB no Piauí foi divulgado pelo secretário estadual de Planejamento, Sérgio Miranda
    Luciano Coelho
    Repórter


    O PIB (Produto Interno Bruto) do Piauí, a soma de todas as riquezas produzidas no Estado, frustrou o Governo estadual. O crescimento foi a metade do previsto para o período. O governador Wellington Dias contestou os dados e pediu uma revisão dos índices feitos pelo IBGE. A Fundação Cepro anunciou ontem (18) que o Piauí teve um crescimento de 5,5% nos últimos cinco anos. Mas o crescimento em 2007 foi de apenas 2% ao invés de 5% como tinha sido previsto, o que frustrou o Governo. A economia do Piauí ocupa a 23ª colocação no ranking brasileiro, à frente apenas de quatro estados.


    diario do povo on line
    Cesare Battisti quer sensibilizar Gilmar Mendes com greve de fome
    O ex-ativista estava se tratando com soro, mas interrompeu o tratamento para sensibilizar o ministro.

    Na véspera do STF (Supremo Tribunal Federal) decidir sobre a extradição ao ex-ativista Cesare Battisti, o italiano decidiu suspender o acompanhamento médico que recebe na penitenciária da Pupuda, em Brasília, em consequência da greve de fome que realiza desde a última sexta-feira.

    Battisti vinha tomando soro desde ontem por recomendações médicas, mas optou por realizar integralmente a greve de fome na tentativa de sensibilizar o presidente do STF, Gilmar Mendes, a não conceder a extradição para a Itália.

    Em encontro com um grupo de parlamentares na penitenciária, realizado hoje à tarde, Battisti disse que interrompeu o tratamento com o soro a partir de hoje. O italiano se mostrou fragilizado e abatido. Apesar de estar otimista com a possibilidade de o STF não conceder a extradição, o ex-ativista classificou de "extrema" sua situação. "Ele disse que ia até o seu limite máximo", afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

    O parlamentar se mostrou preocupado com o destino de Battisti caso o STF decida pela sua extradição para a Itália. "Eu tenho convicção que, se ele for extraditado, não vai resistir. Não que ele tenha instintos suicidas, mas ele demonstra que pode resistir até à morte nesse jejum", afirmou.

    O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que o ex-ativista está confiante por uma decisão do STF contrária à extradição. "Expressamos a ele a nossa confiança de que o Supremo Tribunal, respeitando a verdade com o objetivo de realizar Justiça, conceda a ele o direito do refúgio. Eu tenho confiança que o ministro Gilmar Mendes, que tem a responsabilidade de buscar a verdade, que ele vai decidir pelo refúgio", afirmou o petista.

    Vestido com calça e blusa brancas, com chinelo, Battisti se reuniu com os parlamentares em um auditório da penitenciária. Cerca de 20 parlamentares, entre deputados e senadores, participaram do encontro --a maioria deles integrantes das Comissões de Direitos Humanos da Câmara e do Senado, favoráveis à concessão de refúgio ao italiano.

    Na conversa com os parlamentares, Battisti se mostrou irritado com alguns ministros do STF que argumentaram que o italiano cometeu crime comum, e não político, por isso deveria ser extraditado. "Ele disse estar perplexo por ser um condenado político na Itália, enquanto ministros do tribunal dizem que ele cometeu crime comum", afirmou Alencar.
    Impasse

    Com o placar empatado, o STF retoma amanhã o julgamento do pedido de extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti --condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos. Falta apenas o voto de Gilmar Mendes, que terá que desempatar o julgamento. Até agora, quatro ministros votaram a favor da extradição de Battisti, e outros quatro contra o seu retorno à Itália.

    Mendes já sinalizou em sessões anteriores que acompanhará o relator do caso, Cezar Peluso, a favor da extradição do italiano, juntando-se a Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto e Ellen Gracie. Eles formariam uma maioria de cinco ministros a favor da extradição.

    O grupo se opõe à visão dos colegas Cármen Lúcia, Eros Grau, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio Mello, que defende a libertação do italiano devido a seu status de refugiado político. Mendes já afirmou que considera ilegal o ato do ministro Tarso Genro, que em janeiro deste ano concedeu refúgio ao italiano, contrariando decisão do Conare (Comitê Nacional para Refugiados).

    Para derrubar o benefício, Peluso defendeu que o refúgio concedido por Tarso só poderia ter validade legal caso apresentasse argumentos concretos de que os crimes tiveram motivação política e que, por conta disso, há "fundado temor de perseguição política" caso ele volte à Itália.


    Fonte: Folha Online

    Dirigente do PSOL no Piauí tece comentários sobre a posição de Luciana Genro em relação à candidatura de Marina Silva e o provável apoio de seu partido a essa candidatura


    MUITOS PASSOS À FRENTE

    Alexis Leite*

    O título das parcas considerações a tecer logo abaixo é a última frase do instigante artigo da companheira Luciana Genro, intitulado “Apoio a Marina 2010: um passo atrás, dois passos à frente.”, uma referência ao texto de Lenine “Um passo em frente, dois passos atrás”, que tem como subtítulo “A crise do nosso Partido”. Farei a análise do discurso de Luciana sob o prisma da crise do PSOL. Partirei do resgate de frase da própria Luciana para em seguida estabelecer um comentário, não tão moderno, mas que faria qualquer acadêmico da alta, e média, Idade Média. Vamos ao destaque para depois finalizar numa compreensão de totalidade da idéia central do artigo.

    1. “É bom ou ruim para o PSOL apoiar Marina? Eu estou convencida que não temos outra alternativa se não quisermos cair no isolamento e perder grande parte do capital político que acumulamos nos últimos anos.”

    Aqui ela não explica porque perderíamos grande parte do nosso capital político acumulado nos últimos anos. Pior, ela trata o dito “capital acumulado” como dependente. De quem? Não é o nosso “capital acumulado” um diferencial do capital dominante?

    2. “... que não receite fórmulas prontas a respeito da necessidade do socialismo e da revolução /.../ O grande trunfo que sempre tivemos foi Heloísa Helena.”

    Ora, a fórmula para chegar ao socialismo não a temos, mas sabemos que é um outro modelo de produção, diferente do capitalismo. Então temos uma firme direção. O trunfo que temos não é Heloisa, mas o modelo socialista de produção que já é fruto de extensos e intensos estudos e práticas de coletivos humanos. Plínio, Babá, outro que acredite no socialismo poderá ser o porta-voz do nosso trunfo. Acabem com isso de trunfo A, B, C ou D. Isso é besteira e falta de perspectiva dialética de transformação do mundo humano.

    3. “dou total apoio à idéia dela ser candidata ao Senado, nas circunstâncias atuais. Trocar 8 anos de mandato no Senado por 3 meses de campanha, num cenário eleitoral /.../ à uma luta implacável contra a corrupção.”

    O PSOL, um partido extremamente complexo, com gente até no Piauí, um Estado historicamente dominado pelo coronelismo, inclusive agora com um petista à frente do Governo Estadual – que é o meu caso. Curvar-se diante de uma crença de que H substitui A, B, C, D, Zn, em cada grotão, em cada município, em cada Estado na luta contra a corrupção? Isso é desprestigiar o próprio termo PARTIDO. Lembro cazuza: “Brasil, mostra a tua cara...” Por favor, a insensatez desse argumento é tão visível que fico com vergonha de o mesmo ter sido colocado por uma liderança do PSOL. A insistência por H parece ser da mesma matriz que produziu o Lula.

    4. “A conjuntura política não está muito fácil para os revolucionários e socialistas. Mas já passamos por piores. /.../ e tivemos também que fazer campanha e votar em Lula em 2002, quando ele já tinha até feito um compromisso com o capital (naquela tal “carta ao povo brasileiro”).

    Os socialistas do mundo inteiro nunca tiveram a conjuntura a favor. Fizemos campanha e votamos em Lula – não como um erro. Fizemos isso como condição de continuarmos desmascarando o projeto da burguesia. Quem quiser que sinta que errou. Não foi o meu caso e de muitos outros que conheço. Habitar conscientemente a dialética presente em um evento a primeira vez não é erro. A segunda sim, por ser farsa. Com “Carta” ou sem “Carta” Lula e sua tropa nunca souberam o que é socialismo. Nunca possuíram a fé necessária para construí-lo.

    5. “Soubemos romper com o governo Lula e com o PT no momento certo, não capitulamos para as pressões que as expectativas em Lula geravam em muitos – inclusive em alguns que felizmente hoje estão no PSOL”

    É interpretação plausível que quem rompeu não fomos nós, foi o governo Lula e o PT onde se instalou. Subi nos palanque em Teresina (Piauí) com Lula e Wellington Dias. Nem um só dia deixei de propugnar a minha crença no socialismo nem fui cooptado pela corrupção presente em todos os locais em que estive presente como gestor público.

    Não aceitei propina nem tampouco deixei de fazer as merecidas críticas ao modo petista de governar. Fui jogado fora do governo com um ato do governador dizendo apenas “a pedido”. O cara que “pediu” será o candidato a governador pela maior aliança de forças reacionárias existentes no meu Estado. Não pedi para sair do governo, fui expulso por não admitir fracassos e corrupção com o dinheiro público. Isso acredito, já é um bom começo para os socialistas. A saída do PT foi em bloco por nos sentirmos expulsos do mesmo em razão da visão de poder implantada.

    6. Já o PSTU não teve a mesma sorte. /.../ construir um partido diferente do PSTU /..../ fazer avançar a luta socialista é nos ligarmos aos processos vivos de luta, processos que interagem e fazem avançar o nível de consciência do povo /.../ lutar /.../ totalmente descoladas do pensamento do povo. O discurso já ensaiado por Plínio de Arruda Sampaio, postulante a ser candidato do PSOL, é o oposto disso. É o discurso do PSTU.

    Engraçado, aqui em Teresina quem deu sustentação à minha candidatura a prefeito, nas ruas, foi o PSTU. As maiorias dos militantes presentes nos eventos eram do PSTU. Boa parte do discurso veiculado nos meios de comunicação quem os forneceu foi o PSTU. Qual o problema? Somos diferentes sim. Boa parte dos militantes do PSOL não possui a fundamental crença no socialismo. Não conseguimos prepará-los - “A política é a religião profana.” Quem mais insistiu em estar perto do Povo foram os membros do PSTU. Em nenhum momento me senti diminuído, mas senti que devíamos investir na crença socialista. Aprendi com os companheiros do PSTU. Já o Plínio é um crente antigo que em nada desmerece em ser um Mestre de Cerimônia. Voilà,, Plínio. Socialistas Novos são os que me amedrontam. Parecem mais oportunistas em busca de uma “cadeira” no poder, que nem os marranos querendo salvar as próprias vidas.

    7. “... nossa trilha /.../ um pequeno passo atrás em relação a 2006 /..../ eleições são para nós um momento tático /.../ os 7 milhões que votaram em Heloísa pois estes migrarão em massa para a candidatura de Marina. Alguém tem dúvida disso?”

    O pequeno passo atrás é abdicar de candidatura própria. Marina falará pelo PSOL. Uma não-socialista dirá o que os socialistas querem. É piada. Só pode ser. Eleições são momentos táticos sim. Mas como posso imaginar tática sem estratégia? A nossa estratégia é socialista. Será a mesma repetição de dizermos que vamos ao Leste caminhando para Oeste. 7 milhões em migração para Marina. Quem? Os lutadores e lutadoras sociais do nosso país, mesmo os que não são socialistas não votariam em massa nela. Este seria o maior divisor de crenças que teríamos nos últimos anos. Querem testar? Comecem por mim. Já são apenas 6.999.999 votos. Já não dá a cifra esperada. A minha certeza começa comigo, não está apenas no papel.

    8. ”... o melhor para o PSOL é estar com Marina /.../ Setores da burguesia e do PT vão atuar para mantê-la longe de nós. /.../ luta ambiental com a luta contra a corrupção e pelos direitos dos trabalhadores.”

    Ora, se Marina fosse uma crente ela mesma fugiria dos “setores da burguesia”. O PSOL é agora o Salva-Vidas de Marina. Tão ingênuo, tão cretino, tão deslavado. Ai, ai, ai. Luta ambiental sob a custódia capitalista? O Planeta já está detonado pelos caras que cercam ontem e hoje a Marina. Marina seria apenas a cara de Lula para o prêmio inglês.

    9. “ teremos melhores condições de atravessar esta campanha eleitoral /.../ até ultrapasse o simbolismo criado por Heloísa nas eleições de 2006 /.../ Dilma não é Lula, e os espaços para a esquerda socialista vão se ampliar. As lutas sociais tendem a se intensificar, e nós somos uma referência. Com Heloísa no cenário nacional /.../ um avanço concreto da luta socialista /.../ muitos passos à frente.”

    O MES tem como Cavalo de Batalha Heloisa. Foi o que restou para chantagear a militância desprovida da crença socialista. É bom que se entenda de uma vez por toda que o Capital do PSOL é a crença socialista. Temos diversas pessoas com gabarito e conhecimento de Brasil e mundial para travar esse debate. Não somos reféns desse pretenso capital H.. Diferente do PT deveríamos construir vários nomes para a disputa tanto em âmbito nacional como local. É importante que esse momento nos desgrude dessa dependência de “7 milhões”, “nome nacional” etc. Isso é um falso capital que nos atrasa e nos mantém presos por nossa própria vontade. Aqui em Teresina servimo-nos do nome de Heloisa, mas podemos nos servir de outros nomes para pior ou para melhor. Desde que seja nosso. As lutas sociais se intensificam a partir das bases e dos desafios apresentados. Outra perspectiva é ilusória e tremendamente passageira. Vamos à luta com o que somos e com o que podemos. Isso é real.

    Considero que a “Carta de Carlos Nelson Coutinho”, de modo gentil como convém a companheiros/companheiras, dá conta de uma resposta satisfatória à demanda da companheira Luciana.

    * Alexis Leite é Presidente Regional do PSOL - Piauí

    Veja a Carta de Luciana em: http://www.lucianagenro.com.br/2009/11/apoio-a-marina-em-2010um-passo-atras-dois-passos-a-frente/

    Setor automotivo terá 1º deficit na balança comercial desde 1998

    PAULO DE ARAUJO
    Colaboração para a Folha de S.Paulo

    O setor automotivo terá neste ano, como sequela da crise global e efeito da valorização do câmbio, seu primeiro deficit na balança comercial desde 1998. A retração nos principais mercados de exportação do país, combinada com o avanço das importações de veículos no ano, já provocou um saldo negativo de US$ 2,5 bilhões entre janeiro e setembro. A conta leva em consideração também autopeças e máquinas agrícolas e rodoviárias.Só as montadoras acumulam deficit de US$ 1,5 bilhão.

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    Em volume, foram exportados 371 mil veículos (incluindo carros de passeio, caminhões e ônibus) nos dez primeiros meses do ano, uma queda de 42% ante igual período de 2008. Já a entrada de importados avançou 21,6% e chegou a 386 mil. "Naturalmente, teremos deficit neste ano por conta da queda drástica das exportações de autoveículos", diz o presidente da Anfavea (associação das montadoras), Jackson Schneider.

    A crise provocou encolhimento nos principais mercados de exportação brasileiros, como Argentina e México. De acordo com Schneider, a reversão do quadro deficitário dependerá, em primeiro lugar, do retorno desses mercados e, em segundo, da capacidade que o país terá para garantir competitividade no exterior.

    Ele estima que a demanda global começará a reagir a partir do segundo trimestre de 2010. Mas a indústria terá de reconquistar o espaço perdido. "A valorização do real deixa os produtos menos competitivos. Mas há outras questões estruturais que afetam a competitividade, como os problemas tributários, de logística, além do custo de capital. Tudo isso demanda tempo para resolver." "E o mercado de exportação é muito difícil para entrar, mas muito fácil para sair."

    O setor de autopeças já vai para o terceiro ano consecutivo de deficit. Neste ano, até setembro, o saldo negativo chega a US$ 1,76 bilhão. Para o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, a redução nas alíquotas de importação de peças foi o primeiro golpe na indústria, que já havia consolidado uma balança comercial superavitária. "Com a diminuição do imposto, há cerca de quatro anos, as subsidiárias instaladas aqui passaram a importar muito mais das matrizes em vez de produzir internamente."

    E a valorização cambial acabou por intensificar esse processo, já que os importados ficam mais baratos", acrescenta. Ao mesmo tempo em que houve aumento de produtos estrangeiros no país, caíram as exportações do setor.

    Em 2008, as vendas externas respondiam por 22% da produção. Para este ano, a previsão do Sindipeças é que encerrem com uma fatia de 12%. Se ainda não há um processo evidente de desindustrialização, graças ao aquecimento do mercado interno de veículos, os investimentos do setor e a geração de empregos diminuem, segundo Butori.

    O deficit no setor automotivo, tradicionalmente superavitário, é um fato emblemático e de maior gravidade para a economia como um todo, afirma Augusto Castro, diretor da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil). "A indústria automotiva era muito importante para a geração de superavit na balança comercial. O efeito [do deficit] é que a pauta de exportações fica mais e mais dependente das commodities." Castro argumenta que é mais difícil para o país planejar as exportações de commodities, já que não é formador de preços nem volumes.

    arte Folha de S.Paulo