06/04/2010

Completa um mês a greve na adapi e governo não negocia

Completa na próxima quinta-feira, dia 8 de abril, um mês de paralisação das atividades dos servidores da Adapi, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí. A função do órgão é promover o controle de doenças e pragas que atingem os setores agrícola e pecuarista local, a exemplo da campanha de erradicação da febre aftosa.

Cerca de 240 trabalhadores aderiram ao movimento grevista, e nesta quinta, às 11 horas, todos estarão concentrados em frente à sede da Adapi, que fica próximo ao 2º Distrito Policial, no bairro Primavera. O objetivo é fazer com que o governo estadual retome as negociações com a categoria, que apresentou uma sucinta lista de reivindicações, dentre elas a implantação do Plano de Cargos, Salários e Vencimentos (PCSV); o reajuste salarial; o pagamento do retroativo da gratificação de insalubridade; e a garantia de suporte policial às atividades de fiscalização e de eventos agropecuários (vaquejadas, exposições, cavalgadas, etc).

Os servidores alegam que suas remunerações são inferiores às dos trabalhadores de agências agropecuárias da maior parte dos Estados. Quando a comparação recai sobre os vencimentos (sem gratificações) essa disparidade fica ainda mais acentuada. Como consequência, as aposentadorias também estão abaixo da média nacional.

A mobilização dos agentes agropecuários teve início em outubro do ano passado, e, desde então, o governo do Estado não apresentou qualquer contraproposta, o que acabou induzindo os trabalhadores a apelarem para a greve, que iniciou no dia 8 de março. As 240 pessoas que estão de braços cruzados correspondem a cerca de 50% do quadro de funcionários da instituição, que possui 300 servidores efetivos e 186 cedidos em processo de redistribuição.

Nas últimas semanas, a direção da Associação dos Servidores da Adapi (Asdapi) voltou a procurar representantes do governo. Os servidores, então, receberam a promessa de que as negociações iniciariam logo após a transferência de cargo de Wellington para Wilson Martins. Na manifestação, de quarta-feira, os servidores pretendem garantir que o compromisso seja cumprido.

Eles estão confiantes de que terão sua proposta atendida pelo governo, uma vez que a eliminação da febre aftosa é uma das bandeiras defendidas com maior afinco pelo governador recém empossado, desde a época em que Wilson era vice. Por sinal, seu irmão, Rubens Martins, é presidente da SDR, a Superintendência de Desenvolvimento Rural, à qual está vinculada a Adapi.

No ano passado, o Piauí conseguiu uma grande vitória nessa batalha, passou da categoria de "risco desconhecido" para "risco médio". O objetivo atual é entrar no nível "livre da aftosa com vacinação". Este avanço, contudo, corre grande risco de não vingar caso a greve prossiga, conforme adverte Edmilson Oliveira, presidente da Asdapi.

Outra solicitação dos servidores é que seja realizado uma seleção interna para remoção de servidores. Por enquanto, a agência já promove um concurso destinado ao preenchimento de vagas por pessoas ainda não concursadas.

Eles reforçam que o aumento nos salários e as demais reivindicações não devem gerar um grande impacto nos cofres do Estado, uma vez que a arrecadação da Adapi cresceu 351% nos últimos três anos.

Além das atividades já citadas, a Adapi presta ainda diversos serviços relevantes à sociedade, executando medidas de defesa sanitária animal e vegetal, inspeção higiênico-sanitária e industrial de produtos de origem animal e vegetal comestíveis e não comestíveis, fiscalização agropecuária e classificação dos produtos de origem vegetal.

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