
Trabalhadores de todo o Brasil discutem sobre a reorganização do movimento sindical no país
Especial Leonardo Melo, O Dia online
Na semana passada, o dirigente nacional da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), José Maria de Almeida, esteve em Teresina para tratar, principalmente, sobre o Congresso de Unificação da Conlutas com a Intersindical e outras organizações, que acontecerá no dia 06 de junho em Santos/SP.
José Maria diz que a realização desse encontro surge da necessidade de se construir alternativas para a organização da classe trabalhadora. Ele explica que nos últimos anos, com influências do atual governo federal, houve uma forte fragmentação dos trabalhadores na luta pela conquista de direitos.
“O Lula, na medida em que assume a presidência, não só dá continuidade a aplicação do mesmo modelo e das mesmas políticas econômicas do governo anterior, como ele também copta para o apoio ao governo e aplicação dessas políticas a maior parte das organizações que a classe trabalhadora brasileira construiu no período recente da história do país”, avalia o dirigente da Conlutas.
Essa análise parte do principio de que a Central Única dos Trabalhadores(CUT), assim como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e outras organizações, acabaram estabelecendo relações políticas de apoio ao governo. Manoel Rodrigues, presidente da CUT Piauí preferiu não dar declaração sobre esse assunto. “Essa é a posição deles. Eles são livres para dizer o que quiser. Não temos nada com isso. Não tenho nada a dizer para você”, respondeu o sindicalista.
A posição do presidente local da CUT pode ser reflexo de um distanciamento real da central referente aos verdadeiros interesses da base dos trabalhadores. É fato que a articulação de várias entidades pela criação de uma nova organização de unidade por fora da CUT simboliza a existência de problemas internos do grupo.
O dirigente nacional da Conlutas considera que essa desorganização faz com que a classe trabalhadora, colocada frente a desafios, fique sem um instrumento para levar adiante sua luta. “Na época em que ocorreu a reforma da previdência, feita em 2003, pelo governo Lula, depois a tentativa de fazer reforma sindical e as greves que aconteceram nesse mesmo período, ficamos sem ter alternativa de organização, na medida em que a CUT virou as costas para os trabalhadores e apoiou o governo”, complementa.
É desse cenário que surge a necessidade da construção de outro espaço de organização que possa construir ou reconstruir a unidade dos trabalhadores. José Maria explica que desde a década de 90 a CUT vinha se afastando dos seus princípios e das suas origens.
“Durante todo esse processo houve uma luta interna muito importante que nós fizemos por dentro da CUT que se estendeu até 2004. Até que se chegou a conclusão que não havia mais como mudar aquela entidade, pois ela estava cada vez mais atrelada, cada vez mais burocratizada, cada vez mais distante da luta da classe trabalhadora. E o melhor caminho pra reconstruir a unidade para a luta não era mais por dentro e sim por fora da entidade”, conclui.
Para essa nova entidade, o maior desafio é preservar o conteúdo do projeto e idéias defendidos para sua edificação. “Uma organização que caia de novo na colaboração com os patrões, não vai cumprir nenhum papel importante para a classe trabalhadora. Porque não adianta essa organização crescer se não tiver compromisso firme com a defesa dos interesses imediatos dos trabalhadores, com a vinculação da luta em defesa desses direitos e desses interesses, com a luta contra o capitalismo, pela transformação socialista do nosso país”.
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