01/03/2010

Pelo país
Conlutas vence três eleições sindicais e derrota CUT e CTB

Em apenas uma semana, três eleições sindicais importantes aconteceram no país: Sindicato dos Rodoviários de Fortaleza (CE), Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (RN) e Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos (SP). As chapas da Conlutas foram vitoriosas nas três eleições derrotando a CUT e a CTB. Em todas as três eleições as votações nas chapas vitoriosas foram por ampla maioria. A chapa dos petroleiros de SJCampos foi apoiada pela Conlutas e pela Intersindical.

Os trabalhadores estão demonstrando que querem ver nas direções de suas entidades representantes de luta, com independência de classe e dos governos. Querem ver nas direções representantes que realmente defendam seus direitos e salários e que não façam acordos com os patrões e os governos pelas costas dos trabalhadores.

Veja abaixo os resultados das votações:

Rodoviários de Fortaleza/Sintro - Chapa da Conlutas vence com 63% dos votos contra 22% da CUT e 13% CTB.

O segundo turno das eleições Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (SINTRO),ocorreu nesta quinta feira (25) e terminou com vitória da Chapa Resgate/Conlutas. A chapa venceu com 63% dos votos contra 22% da CUT e 13% da CTB.

No primeiro turno, a chapa da Conlutas também obteve vitória e conquistou 73% dos votos, entratanto não houve o quorum necessário.

Fraude Apesar da firme decisão da categoria em votar na chapa da Conlutas, essa não foi uma eleição fácil. A comissão eleitoral escolhida pelo presidente do Sindicato, da CTB, fez de tudo para fraudar as eleições. No primeiro turno as urnas só deveriam passar onde o sindicato tivesse maior apoio. A mesma comissão impugnou a chapa da Conlutas, que foi obrigada a recorrer a Justiça e ganhou o direito de concorrer. Após esses fatos, vieram as intimidações, ameaça de morte por telefone, quebra do vidro do carro de som da Conlutas. Mas nada disso adiantou.

A Conlutas denunciou ao Ministério Público do Trabalho as fraudes que a direção do sindicato vinha fazendo. O procurador–chefe, Francisco Gerson Marques de Lima, acatou a denúncia e ingressou na Justiça pedindo a suspensão da eleição e a formação de uma junta governativa com trabalhadores da categoria. A juíza concedeu uma liminar marcando nova eleição e a formação da junta governativa que organizou o processo eleitoral.

Trajetória - O apoio dos rodoviários à Conlutas vem desde a paralisação ocorrida em 2008, quando por três dias a capital, Fortaleza, ficou paralisada por uma greve contra o acordo assinado pela direção do sindicato, que não havia sido aprovado pela categoria. Eles assinaram os acordos, fecharam o sindicato e sumiram.

A direção do sindicato que nessa época era composta pela CUT e CTB ao invés de ficar do lado dos trabalhadores ficou do lado da prefeitura petista. Os meios de comunicação foram usados para atacar o movimento dos rodoviários, entretanto, o que mais os indignou foi a truculência da policia a mando da administração petista.

A chapa Resgate/ Conlutas venceu e enfrentou todas as intimidações, ameaças e não esmoreceu. Continuou firme e conquistou o seu propósito de devolver o sindicato para a categoria.

(Com informações de Emmanuel Oliveira)

Bancários do Rio Grande do Norte – A Chapa 1, Independência e Luta / Conlutas, venceu com 1965 votos (82,72%) contra 409 (17,28%) da chapa 2, da CUT, no último dia 24.

A chapa cutista já sabia que iria sofrer uma grande derrota, pois tinha feito uma pesquisa no dia anterior da eleição. A partir disso, seus representantes fizeram de tudo para fraudar a eleição. Chegaram ao ponto de, um dia antes da votação, tentar impedir que os carros do sindicato levassem as urnas para o interior.

Já no dia da eleição, em um determinado momento, seus mesários ameaçaram se retirar das mesas coletoras; em seguida tentaram pegar a listagem de sócio, atitude que deixou os bancários indignados.

Em frente ao sindicato, os militantes da CUT tentaram agredir fisicamente algumas companheiras lembrando os métodos de agressão dos pelegos da década de 80.

Mas a comissão eleitoral do sindicato não se intimidou e fez valer a vontade da categoria. Assim, garantiu a votação nas 20 urnas espalhadas na capital (Natal) e as 10 urnas no interior.

CUT se retira da apuração - A comissão eleitoral garantiu democracia entre as chapas que indicaram seus escrutinadores. Em um dado momento, quando as mesas estavam todas prontas, os escrutinadores da CUT se retiraram e tentaram invadir a quadra onde estavam as urnas. Foram contidos com apoio da comissão eleitoral. Ao final, o advogado da CUT entregou uma carta feita a punho que foi recebida pela comissão eleitoral.

Enquanto os militantes da CUT saiam da quadra, os militantes da Conlutas gritavam a palavra de ordem "Ah, ah, ah, Conlutas é radical, não é capacho do governo federal".

Diante da recusa da CUT em contar os votos, a comissão eleitoral indicou novos escrutinadores e garantiu a apuração. Essa atitude de querer abafar a vontade da categoria por meio da força não será aceita pela Coordenação de Lutas (Conlutas).

(Emmanuel Oliveira)

Petroleiros de SJCampos - A Chapa da Frente Nacional dos Petroleiros (FNP), apoiada pela Conlutas e Intersindical, venceu com 72,6% votos contra 27,3% da Chapa 2 – FUP, apoiada pela CUT. Do total dos votos, um foi branco e sete foram anulados.

A apuração correu nesta sexta-feira (26) para a direitoria do Sindicato dos Petroleiros de SJCampos.

Segundo o presidente reeleito do Sindicato, José Ademir da Silva, esta vitória foi importante no processo contra o ataque que vem sendo imposto pela Petrobrás. “A nossa idéia é manter o sindicato voltado para a luta dos trabalhadores, contra a retirada de direitos por parte da patronal”, salientou.

Silva informou que a participação da Conlutas e da Intersindical foi de extrema importância na conclusão do processo democrático das eleições. “Eles (CUT e FUP) queriam ganhar, porém sem que os trabalhadores votassem”, criticou o presidente, acrescentando que a maioria dos petroleiros apoiava a Chapa da FNP.

Segundo o dirigente, quando o sindicato se desfilou da CUT foi um processo desgastante, porém necessário. “Nos desfilamos da CUT, por acreditar que esta entidade não atendia mais a necessidade da classe trabalhadora. Entendemos que o processo de filiação com uma outra central sindical deve ser discutido e de suma importância para a categoria”.

Silva disse ainda que as campanhas da Petrobrás 100% Estatal e o Petróleo é Nosso, continuarão sendo encaminhadas pelo Sindicato, norteadas pelas campanhas contra a retirada dos diretos, o ataque aos fundos de pensão, a assistência médica e a aposentaria dos trabalhadores petroleiros.

(Redação Conlutas - Bianca Pedrina)

Nenhum comentário: