31/10/2006

Acabaram as eleições. E agora?
O que revelam as eleições e quais são as perspectivas de um segundo mandato de Lula

Eduardo Almeida

Lula foi reeleito. Depois de toda a crise política do ano passado, o governo conseguiu uma clara vitória eleitoral. Teve uma votação semelhante em porcentagem à conquistada em 2002, quando teve 61,3% contra 38,7 % de Serra. Agora obteve 60,83 % contra 39,17 de Alckmin.
A Frente Popular já tinha conduzido pela primeira vez na história o maior líder operário do país à presidência. Agora tem uma nova vitória, reelegendo Lula.
Do ponto de vista puramente eleitoral, a vitória é ainda maior que em 2002. O PT elegeu cinco governadores, incluindo estados de maior porte como Pará e Bahia (antes o PT só dirigia três estados menores, como Sergipe, Acre e Mato Grosso do Sul). Os partidos aliados de Lula elegeram 16 governadores (ou 17, se incluirmos o Maranhão), bem mais do que os 11 de antes. A bancada dos partidos que apóiam o governo no Congresso é maior (cerca de 300) do que a eleita em 2002 (cerca de 200), pela influência dos governadores eleitos.
Por outro lado, a oposição burguesa foi derrotada. O PFL sai destroçado das eleições, com apenas um governador eleito em Brasília, e a derrota de oligarcas tradicionais como ACM na Bahia e Roseana Sarney no Maranhão. O PSDB foi derrotado para presidência, mas levou importantes governos estaduais como São Paulo, Minas Gerais e o Rio Grande do Sul. Assim se preserva como a principal alternativa da burguesia para uma futura crise ou a sucessão de 2010.

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