Com a participação de vários sindicalistas, militantes do movimento social, estudantes e economistas, aconteceu o debate: Inflação e Campanhas Salariais, reaalizado pelo Dieese.
Foi um debate bastante esclarecedor, principalmente para os sindicatos que terão campanhas salariais nesse segundo semestre. Sérgio Mendonça, economista do Dieese, deixou bem claro que a crise não advém da demanda e, nem tampouco, do consumo, mas sim dos preços dos produtos que são elevados propositalmente pelos capitalistas. Ou seja, eles empurram os preços dos produtos para cima no intuito de não perderem suas margens de lucro.
Outro esclarecimento feito pelo economista foi em relação à produtividade e à crise dos alimentos. No primeiro caso, os dados do Dieese apontam para um crescimento da produtividade na economia brasileira. Isso significa que os trabalhadores estão à vontade para reivindicar aumento salarial.
Quanto à crise dos alimentos, Sérgio Mendonça destacou que os preços não sobem sozinhos, os preços não são um "ser vivo".
Os preços sobem porque as grandes empresas que dominam o mercado mundial e brasileiro estão aumentando os preços de suas mercadorias para aumentar os seus lucros, rebaixando os salários em termos reais da classe trabalhadora. Para que os trabalhadores possam se proteger das perdas salariais, do aumento dos preços dos produtos e dos alimentos e da inflação, o mecanismo correto seria o gatilho salarial.
A única forma de diminuir as perdas que os salários sofrem entre uma e outra correção da variação inflacionária (que hoje é anual) é diminuir o espaço de tempo entre uma correção e outra. Isto pode ser feito através da definição, em convenção coletiva, de clausula que determine a correção automática dos salários sempre que a inflação atingir 5 ou 3%, por exemplo.
O debate que o Dieese veio realizando por todo o país, teve o apoio das centrais sindicais como a Conlutas, a CUT, CTB e a Força Sindical. A atividade é parte de um ciclo de discussões sobre os impactos da inflação na vida dos trabalhadores.
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