Racismo e capitalismo: Dois inimigos, uma mesma lutaNo início de novembro, dois fatos serviram como lamentáveis exemplos da dimensão e profundidade do racismo no Brasil. No dia 7, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) transformou o Brasil no primeiro país no continente a ser condenado por não punir um caso de racismo. Uma semana depois, uma pesquisa do IBGE constatou que os brasileiros que se declaram negros ou “pardos” têm um salário médio equivalente à metade do que é recebido pela população branca.
Tanto a condenação quanto a pesquisa revelam que a luta de Zumbi, de João Cândido e de todos aqueles que combateram pela liberdade e pela igualdade está longe de ter atingido seu objetivo, apesar das muitas conquistas que foram arrancadas no decorrer dos anos.
Passados mais de 300 anos da morte de Zumbi, em 1695, a maioria dos negros e negras ainda é cotidianamente vitimada pelo racismo e suas nefastas conseqüências: da violência racista e policial aos estereótipos reproduzidos nos meios de comunicação; do desemprego ou subembrego à exclusão dos bancos escolares.
Uma situação que, apesar do que pregam Lula e seus aliados, só tem se intesificado nos últimos anos. Pois, afinal, este é um governo que, ao mesmo tempo em que lança migalhas e êngodos como o Bolsa-Família e o ProUni, ataca os trabalhadores e a juventude com a aplicação de planos neoliberais que promovem o arrocho e o corte de direitos, como, agora, pretendem fazer com o Super Simples.
Planos estes que atingem particularmente aqueles setores que foram historicamente marginalizados, como negros e negras. Por isso, hoje, a única forma de homenagearmos Zumbi é através da luta sem tréguas contra Lula, seus aliados e o sistema que eles defendem. Afinal, como já dizia Malcolm X, “não há capitalismo sem racismo”. E, por isso mesmo, não há como combater um, sem lutar contra o outro.
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