Miriam Leitão comenta em seu blog
Era previsível que as más notícias aconteceriam depois das eleições. Por isso, só agora o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, conta que o gás vai subir.
Numa entrevista na Folha de S.Paulo, Gabrielli conta que o gás vai subir porque a demanda está muito alta, e o preço estaria defasado. Desde que houve a crise com a Bolívia, ficou claro que subsidiar o uso de um produto que estava ficando escasso era uma contradição econômica, mas a Petrobras deixou para fazer isso agora que a eleição acabou.
Nos últimos anos, a Petrobras incentivou bastante o consumo do gás: convencia empresários a mudar a fonte de energia para gás. Fez isso porque estava espremida em um contrato com a Bolívia - fechado no governo FHC - que estabelecia que o Brasil pagaria 26 mil metros cúbicos/dia consumisse ou não consumisse. Isso acabou ficando caro porque, mesmo quando só consumia 10 mil metros cúbicos/dia, pagava 26 mil. Ao incentivar a troca, a Petrobras estava reduzindo suas perdas.
O mesmo truque que fez o governo como um todo no caso das contas públicas. O próprio presidente Lula disse que o país estava preparado para crescer sem reformas e sem corte de gastos. Agora já fala que este ano ainda haverá um forte corte nos gastos.
Tudo como sempre foi. Na eleição de 98, o PT disse que o câmbio estava defasado e que haveria uma desvalorização. O então presidente-candidato Fernando Henrique Cardoso disse que não haveria desvalorização. No dia 13 de janeiro de 1999, o câmbio estourou.
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