Matéria do 180graus prova relação política entre governo e Civitas
Três diretores do Instituto Civitas, que recebeu mais de R$ 14 mi do governo, são filiados ao PT
O portal 180graus tem primado pela isenção na produção de matérias jornalísticas. Prova disso é a grande audiência obtida ao longo de sua existência. Nesta quarta-feira (25), o portal produziu matéria mostrando a relação entre governo do estado e Instituto Civitas.
Por meio de convênio com a Secretaria Estadual de Educação, o mencionado Instituto recebeu desde 2004 cerca de R$ 14,7 milhões dos cofres do estado -- de acordo com documentos recebidos do TCE - Tribunal de Contas do Estado. Os recursos visam a execução do projeto Cursinhos Populares que supostamente prevê a democratização do acesso ao ensino por parte de alunos da rede pública do estado. A matéria foi produzida observando todos os princípios do bom jornalismo, oferecendo amplo espaço para a manifestação de todos os mencionados.
Hoje (26), o portal foi surpreendido com documento enviado pelo diretor-executivo do Civitas, advogado Robertônio Pessoa, insinuando a existência de atrelamento político-partidário do 180graus e que isso teria, na sua ótica enviesada, motivado a produção da citada matéria. Sua afirmação não procede. O portal não tem qualquer atrelamento de natureza político-partidária.
Prima, sim, pela exposição da verdade. É verdade, por exemplo, que 95% do faturamento do Instituto Civitas provém do erário estadual. Embora sendo dinheiro público não há qualquer informação, por parte da entidade, sobre a destinação destes recursos. O Civitas bem que poderia manter, em sua página na internet, um link contendo informações detalhadas e atualizadas sobre o montante recebido e sua aplicação.
O dinheiro é público, a sociedade tem todo o direito de conhecer o seu destino. O Civitas não nega que tenha recebido R$ 14,7 milhões do governo do estado. Nem poderia. As informações são procedentes do TCE - Tribunal de Contas do Estado. Questiona, no entanto, que esteja recebendo R$ 2,085 milhões por mês do governo estadual.
Sua negativa é absurda se considerarmos que a matéria explica claramente o resultado da operação. Trata-se do somatório geral dos valores percebidos ao longo de todo este tempo e consequente divisão pelos meses desde então, o que perfaz uma média.
O convênio entre governo do estado e Civitas não tem razão de ser. Fosse assim e qual a função dos professores da rede estadual? Eles têm a obrigação de preparar alunos para o vestibular. A própria Seduc, em seu mister, deveria fazê-lo utilizando da sua própria estrutura, sem precisar recorrer à uma organização não governamental controlada por partidários do secretário e do governador, sendo que dois deles são além de partidários, auxiliares diretos do governo.
O diretor Robertônio Pessoa enfatiza que as contas do Civitas foram apreciadas e aprovadas por órgãos de controle interno e externo do estado do Piauí. Este fato não quer dizer absolutamente que o dinheiro esteja sendo utilizado corretamente porque falece objetividade ao convênio se analisarmos que a obrigação de preparar alunos para o vestibular é do próprio estado que já dispõe dos meios necessários para tanto.
Pessoa nega que o secretário Antonio José Medeiros tenha se utilizado de café aula realizado na madrugada de domingo (22) para fazer apologia do governo e com isso antecipado discurso de pré-candidato ao pleito eleitoral de 2010. O secretário fez uso, sim, do evento para se pronunciar não apenas como candidato. Ele falou como pré-candidato e a pretexto de prestar contas dos seus supostos feitos como secretário tentou incutir na cabeça dos cerca de 2,5 mil jovens ali presentes a ideia de que está trabalhando pelo desenvolvimento do setor público.
Como trabalha pelo desenvolvimento do setor público se ainda precisa recorrer a uma entidade não governamental para supostamente garantir a democratização do acesso ao ensino universitário? Contraditório, não?! Além do mais, o discurso do secretário foi transmitido ao vivo pela TV Meio Norte. As câmeras o mostraram falando por mais de uma hora, o que torna impossível de negar o viés político-eleitoral de sua participação no evento.
Se há democratização verdadeira, por que não colocar outros secretários de Educação para relacionar seus exemplos e sugestões? Será que o secretário de Educação do município de Teresina, Washington Bonfim, teria o mesmo espaço no referido café aula? Claro que não. Isso porque o evento foi totalmente voltado para a promoção do secretário, que é pré-candidato a governador pelo PT.
O sentimento de impunidade é tamanho que eles, além de não se preocuparem com a transmissão ao vivo em emissora de televisão, ainda reprisam inúmeras vezes. O evento, realizado no Ginásio de Esportes "O Verdão", foi transmitido na madrugada de domingo, reprisado na madrugada de terça-feira (24) e novamente é anunciada reprise para esta quinta-feira (26) a partir das 23h. Os organizadores do café aula têm a nítida impressão de que "está tudo dominado."
Aliás, em se falando do PT, o diretor Robertônio Pessoa posiciona em documento enviado ao portal que "não existe atrelamento político entre o Instituto Civitas e o governo do estado." Como não?! Os três diretores do Instituto são filiados ao PT, partido do governador e do secretário de Educação do estado.
Dois deles, Nelson Nery e Wellington Soares, são assessores diretos do governador. Um deles, Nery, como coordenador-geral da Defensoria Pública do estado, além de ser advogado pessoal de Wellington Dias. O outro, Soares, cuida da comunicação estadual.
O 180graus é injustamente acusado de abusar da liberdade de expressão. Não existe abuso. O que existe é busca permanente da verdade dos fatos. O único problema com isso é que tanto em nível local quanto nacional, o governo petista sempre insinua atrelamento político e partidário de autores de matérias que não são adeptos da propaganda oficialesca e com isso não falam apenas o que eles querem ouvir. Agindo assim, imagina que conseguirá descaracterizar e desacreditar o conteúdo.
De modo algum!
Todas as informações publicadas pelo portal são verdadeiras e podem ser tranquilamente checadas junto aos órgãos oficiais. O mesmo, talvez, não se possa afirmar de alguns acusadores de plantão.
REPÓRTER - Toni Rodrigues
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